têm sido dias intensos e estranhos.
a terra tremeu debaixo dos nossos pés, mostrando por breves segundos a nossa impotência e insignificância.
morrem pessoas à minha volta: pais e irmãos de amigos, tios de família, e a cada morte anunciada percebo que começo a perder fôlego na corrida à frente da morte. as pessoas que fizeram parte da minha infância estão, uma a uma, a desaparecer.
no meio de tudo isto (apesar de tudo isto que realmente importa e que devia ser suficiente para dar importância ao que importa) ainda tenho dificuldade em escapar aos picos de ansiedade provocados pela entropia laboral, sendo que agora tenho de preocupar-me não só por mim mas também pelas pessoas da minha equipa.
quero fazer as minhas coisas, organizar o meu pequeno universo físico e virtual para procurar alguma sensação de paz, mas falta-me a energia (a confusão mental e a tristeza e o medo sugam-me a energia).
quero escrever para registar os episódios e limpar a cabeça, mas falta-me energia, concentração, tempo.
sinto as dores a intensificar-se nos músculos, a sensação de falhanço a aproximar-se, a necessidade de fuga a escalar inescapavelmente.
a confusão paralisa. o medo paralisa. falta uma força motriz intrínseca ou extrínseca que ajude a reagir.
talvez seja em parte o efeito de um mês estranho como agosto, agravado por esta série recente de eventos absurdos e aterradores.
se ao menos houvesse um amor para nos salvar do caos e não para nos lançar irremediavelmente nele.